Mini Cooper, 2 CV, Ford Transit (Intro + Parte I)
Intro
Cabemos todos nesta estrada, apesar de tudo. Temos as nossas bagagens próprias impropriamente à mão, porque falamos de piadas e de privados, de coisas de casa de banho e não só, eventos culturais na praça e não só, achando que podendo ambicionar com mais só temos direito a uma pequena maquia da situação. Somos analistas, cabemos todos no mesmo carro. Na noite a estrada é maior, e nós aumentamos com o IVA e o ego diminui consoante o aumento do IVA. O ambiente é esquisito mas bom, nas curvas as sombras reflectem nas luzes e as luzes auferem as sombras que, cavalgando, vemos durante o amanhecer seguinte. Sentimos e arrefecemos mais uma vez. Cá por dentro é o sentimento aberto. Aberto. Mais uma vez o final de um dia carregado de neblina metafórica. Uma noite carregada de neblina física.
Soltamos o monstro dentro do armazém alugado, antevendo a natural reacção do mesmo a partir dos dados fornecidos pelos nossos amigos de há dois anos atrás que, na praça, nos insultam como se fossemos caricas antigas que deixaram de ser coleccionadas por falta de componente brutal. Para mim a física da situação é lógica. Pois todos cabemos na mesma estrada, o que falta aqui é sentido e direcção. O que falta nesta equação é natureza de descrição. Mas nem por isso há desistências, que lá para cima tudo é ferro, oiro e fogo. Mas nem por isso há cedências. Puramente descritos como alternativos, na costa ao largo dos Ferraris vamos sendo afirmativos, musicalmente definidos pelo ego central alheado da própria civilização, do ambiente circundante, de anedotas para pensar e de duetos com o alternativismo.
Cambada de cães à solta, um canil vinha a calhar.
I
Gravidade força de respiração
estacionamento em época áurea
logicamente rápido demais
este agora vem para derreter
Nem por isso julgando forte
Veículos de complexidade
Próximos de antever o realismo
Catarse de emoções e
O gameover estava muito perto
Num armazém lembrando o anoitecer
Ouvindo sons como lasanhas
plásticos sobreaquecendo-se,
fervendo nos corpos dos seus
Irmãos e primos e família
Esquecidos pelos noivos ontem
Ainda se fez tarde para nós irmos
Para a chuva foi igual, para nós
Foi o natural amanhecer e frio
vento frio de cortar o Sol
Vento de Norte de acordar um só
Sinal de desespero, como se fosse
Um dia esquecido, uma perna partida
Em um centro de saúde fechado.
Nem por isso a força se fez uma
Para que isso fosse, jantares
Para que música nascesse, jantares
Trabalho ao largo do Carmo, café
Sinais de fumo desprezados, Lisboa
E casas com terraço são memoráveis
e antigas descidas de montanha
São frias como esculturas de carros
Como exposições de arquivos
Em galerias descritas como escrita
Como poesia de putrefacção análoga
Como antecipação a um final previsto
A uma descida de Inverno
Um desporto de ano a ano, uma só,
Uma tentativa de Mundialidade,
em que o campeonato fora resignado
Fora posto de parte para os outros,
Cães de pura matéria em questão
Nos questionassem acerca da maneira,
Do maneirismo, do cerco a tudo,
da dádiva de espécie fina que
a propósito vinha-me buscar
Para sermos mais aglutinados.
A história contada tem menos piada
Vivida, a história era contada,
A piada, na vida da história,
Contando a piada na história da vida.
Festa anunciada, bacalhau de molho,
Cristão falece e agora uma festa
De prendas e felicidade, o que falta
é o dinheiro dos Reis que veio
e que foi, e agora os Reis são
Donos da estrada que cruzamos hoje,
Amanhã e depois, todos no mesmo cruzeiro
Mesmo carro, mesmas rotas,
Umas gotas de alegria nos esperam
Nos circundam, criticam
Cremam arrepiam começam a fechar
Olvidando-se do esquecimento
Lembrando-se do recorte matreiro
apagado pelos colegas de faculdade
Registos inconfundíveis de solidão
Natural recepção desilusão
Aliada a um sentido de procura
descritivo, mas hoje a diferença
está em ti, aqui, diferente.
Como cavalos escapam do destino
Da chuva fogem guarda-chuvas
Despidos de preconceitos, varetas
Imóveis esperam desastres,
Figurativamente falando nós andamos
Cá mais uma vez mais um ano abunda
O coitado, a experiência, companhia
Lda, Cia, Alternativos e é só
Uma sopa por aquecer, nesta escola
Da vida, neste cliché do IBM,
Mais uma porção de caracteres por
Decifrar e mais um tema a não
Debater, porque todos eles e todos
Nós somos temas a debater,
Porque o simples e o eficaz, dito,
Gourmet, se aplica a todos e
Nem sequer a nenhum
Pois quando a pia entope,
O desabafo sai pelos sapatos,
O molhado entra no colchão da outra
e o safado se desarranja de novo
Nem o MacIntosh se consegue esconder.
Nem aqui nem na Europa.
CCP.MMX
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